Deixa ele pensar

Começo essa poesia com algumas perguntas: você sente orgulho de quem é?

Sorri quando se olha espelho, por ser gordo, negro, gay ou mulher?

Anda e fala como quer, veste o que quiser, ignora o que aquele alguém disser?

Ou se fecha pra todos, sem mostrar nem um pouco do seu brilho sequer?

Você diz com convicção, que faz o que faz, porque quer?

Ou reproduz as normas sociais e vive os dias de forma meio… meh?

Você se satisfaz fazendo o que faz, todo dia, por nenhum tostão a mais?

Ou seria capaz de deixar tudo pra trás e seguir uma vida com mais… paz?

Queria que essas perguntas te fizessem pensar, me fizessem pensar

Se nós estamos sendo quem somos, ou se conseguiram nos controlar

Nos limitar, fazer com que sejamos obedientes como um militar

Se no final de tudo, a gente se tocar que nossa identidade não puderam tirar

Deixa o patrão pensar que a gente vai se calar, que a gente não vai lutar

Porque se eles acham que dominam o jogo, é porque não nos viram jogar

—  Victor Hugo Arona

Ludwig Deutsch - O Jogo de Xadrez (1896).png
“O Jogo de Xadrez”, de Ludwig Deutsch (1896)

Nota: Essa poesia foi escrita por mim no início desse ano, quando eu estava bem inspirado e escrevendo diversos poemas um pouco mais sofisticados que os que eu escrevia em 2016. Essa vibe ainda não ressurgiu. Eu também não me permito vibrar naquela frequência novamente, aí fica difícil. Mas eu espero sua volta pacientemente.

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